A origem sensível de todo conhecimento
Tudo o que você sabe entrou pelos olhos, pelos ouvidos, pela pele. Não existe outra porta. Esta disciplina mostra o que essa afirmação obriga a aceitar, e por que ela não transforma o pensamento numa soma de sensações.
Aula 1De onde veio isso que você sabe
Pense na primeira pessoa que te mostrou o que é injustiça. Não a palavra — a coisa. Alguém foi tratado de um jeito na sua frente, ou você foi, e apertou aqui dentro. Você tinha seis, sete anos. Uma sala de aula, uma cozinha, um portão de escola. Aquilo ficou. É de lá que vem, ainda hoje, o aperto que você sente quando abre o celular, lê uma notícia e pensa «isso não se faz».
Agora a parte que incomoda. Se aquele dia tivesse sido outro — outra casa, outra gente, outra cena —, você sentiria a mesma coisa hoje? E se a resposta for não, então de onde veio, exatamente, essa certeza que você carrega como se fosse sua desde sempre?
A resposta desta disciplina é curta e incomoda na primeira vez: entrou pelos olhos, pelos ouvidos, pela pele. Não existe outra porta, por mais alta que seja a ideia. Você aprendeu o que é justiça vendo. Aprendeu o sete contando nos dedos, ou contando irmão, ou contando moeda no balcão. E o que você sabe de Deus chegou por uma voz, por uma imagem numa parede, por um pedaço de pão partido em cima de uma mesa. Isso não faz da justiça uma invenção sua, nem uma coisa que muda de casa para casa. A porta é sua; o que entrou por ela é real. Guarde essa diferença, porque o curso inteiro se apoia nela.
Sete palavras em latim dizem tudo isso de uma vez. Elas vão voltar em todas as disciplinas:
quod prius non fuerit in sensu. Nada está no intelecto que não tenha estado primeiro nos sentidos.
Por que isso não é óbvio
Quase todo mundo concorda com essa frase na hora, e concorda depressa demais. Parece bom senso — claro que a gente aprende olhando o mundo. Mas ela é bem mais audaz do que parece, porque fecha portas que muita gente atravessa sem ver que atravessou.
A primeira porta: a gente não nasce sabendo. Existe uma ideia antiga e bem defendida, que vem de Platão, de que a alma já traria de antes o conhecimento das coisas verdadeiras — e aprender seria só lembrar. Você vai encontrar essa ideia mais adiante no curso, apresentada com todo o respeito que ela merece. Aqui ela é recusada, e a recusa custou séculos de briga.
A segunda porta: não existe olho interior. Nada de sexto sentido que enxergasse a essência das coisas direto, sem passar pelo corpo. Não tem atalho. O que você sabe sobre Deus e sobre a justiça entrou pela mesma porta que o cheiro do café.
E aí sobra uma pergunta que vai pesar no curso inteiro. Se tudo entra pelos sentidos, e o que você sabe de você mesmo? Da sua própria alma? Isso também teve de entrar por algum lugar. Só que a alma não tem cor, nem formato, nem tamanho — você não pode olhar para ela como olha uma cadeira.
Essa fica para depois, e já adianto: a resposta não é a que o bom senso espera. A quinta disciplina deste bloco gasta cinco aulas só nela.
O que Aristóteles diz, e é mais radical do que se espera
No tratado Sobre a Alma, bem no ponto em que explica como o pensamento funciona, Aristóteles escreve uma frase de uma linha. Ela foi repetida, comentada e discutida durante mil e quinhentos anos:
Repare no «nunca». É ele que segura a frase inteira. Sem imagem não existe pensamento humano — nem quando o assunto não tem cor nem forma nenhuma, como a justiça, como Deus. A imagem não ajuda a pensar melhor. Ela é a condição de pensar.
Faz um teste, leva dez segundos. Pense em «justiça» outra vez e repare no que apareceu junto com a palavra. Pode ter sido uma balança. Pode ter sido o rosto de alguém. Pode ter sido a palavra escrita, ou o som dela na sua voz. Apareceu alguma coisa — ninguém pensa em justiça olhando para o nada. Essa «alguma coisa» tem nome em grego: phántasma. Nada de fantasmaA imagem que fica na cabeça depois de os sentidos terem trabalhado — o retrato interno de uma coisa concreta. Não tem nada de assombração: é o termo técnico para a imagem sensível guardada. de filme de terror: é a imagem que fica guardada na cabeça depois que os sentidos fizeram o trabalho deles.
Volte à cena do começo desta aula e puxe o fio para trás: qual foi a primeira vez, na sua vida, em que você viu, ouviu ou tocou alguma coisa por causa da qual, hoje, você sabe o que sabe sobre aquilo?
Você provavelmente não chega na primeiríssima vez — a memória se perde lá atrás, na infância. Mas quase todo mundo chega em alguma vez: um dia, uma pessoa, uma frase. É essa lembrança que o curso vai chamar, daqui para frente, de porta.
Fica de pé a pergunta da Aula 2. Se o pensamento precisa da imagem para começar, será que depois ele se solta e anda sozinho? Quando você já aprendeu uma coisa e ela está guardada, dá para pensar nela sem imagem nenhuma? Tomás diz que não. E dá dois motivos — um deles tirado de olhar gente doente.
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Mentoria espiritual — R$ 250/horaAula 2O corpo é a estrada, e não o obstáculo
A Aula 1 disse que o conhecimento começa nos sentidos. Isso é fácil de engolir. Esta aula diz uma coisa bem maior: ele nunca sai de lá. Mesmo uma coisa que você já aprendeu há vinte anos, para ser pensada agora, em atoO que já está acontecendo, em oposição ao que apenas pode acontecer. A árvore crescida é ato; a semente era potência., precisa que você volte a uma imagem.
Antes de ler o resto, responde para você mesmo, com sinceridade: quando você entende, agora, o que é uma promessa, aparece alguma imagem na sua cabeça? Ou o entendimento acontece sem imagem nenhuma, como um clique seco de significado? Guarde a resposta. A gente volta nela.
É isso que Tomás de Aquino defende. E defende sem deixar fresta:
«Fantasma» é a imagem guardada na imaginação, como vimos. Repare no que a frase não diz: não diz «é difícil», não diz «é raro». Diz impossível. E marca até onde vale: no estado da vida presente, enquanto unido ao corpo — vale para o homem como ele é agora, com corpo. Não vale para a alma depois da morte, nem para os anjos, que nunca tiveram corpo.
Isso tem nome em latim: conversio ad phantasmata, a conversão às imagensO movimento de o intelecto voltar-se para a imagem guardada sempre que quer entender alguma coisa em ato. Sem essa volta, não se entende nada.. Para entender qualquer coisa, o intelecto tem de se virar para o material que a imaginação guardou. E não é uma vez só, no começo da vida. É toda vez. Agora inclusive.
Os dois indícios, e o primeiro nasce de um doente
Tomás não pede que você acredite na palavra dele. Ele traz duas provas. A primeira é observação de gente doente, escrita no século treze.
O raciocínio anda assim. O intelecto é uma potênciaA capacidade de vir a ser ou de vir a fazer alguma coisa, antes de a fazer. A semente tem em potência a árvore. que não usa órgão nenhum do corpo. Então uma pancada na cabeça não deveria atrapalhar em nada — se ele não depende de órgão, por que dependeria de um órgão machucado? Só que atrapalha. Quem perde a imaginação, ou perde a memória, deixa de conseguir usar coisas que sabia de cor. Logo, o intelecto depende do trabalho de outras potências, e essas têm órgão:
Pare um segundo para ver o que acabou de acontecer. É um argumento tirado de olhar doente, usado para resolver uma questão de filosofia da mente. Escrito por volta de mil duzentos e sessenta, seiscentos anos antes de existir qualquer coisa parecida com neurociência.
A segunda prova é mais fácil de conferir. Não precisa de hospital, nem de paciente. Precisa de você, agora.
Tente entender agora o que é uma dívida, ou uma promessa quebrada. Repare: apareceu uma cena na sua cabeça, ou não apareceu? Aparece sempre. O texto está literalmente mandando você testar, e o teste dá certo toda vez.
Ensinar é dar exemplo
E vem a frase seguinte, que é a razão de esta academia livre escrever cada aula do jeito que escreve — esta aqui inclusive:
Tomás está descrevendo o que todo bom professor faz sem pensar: quando quer que alguém entenda mesmo, dá um exemplo. E ele diz por que aquilo funciona. O exemplo não está ali para enfeitar um conceito que o professor já tem pronto na cabeça. O exemplo é a matéria com que o aluno vai fabricar o conceito dele, pela primeira vez.
Daí sai uma regra para quem ensina qualquer coisa: ensinar só com definição, sem exemplo nenhum, é pedir ao outro uma operação que ele não tem como fazer. Não é falta de didática. É falta de matéria-prima.
E o corpo, nisso tudo, não é castigo
Agora muda o clima. Num mundo em que o corpo fosse tratado como estorvo, essa dependência da imagem seria uma desgraça, uma limitação de que a gente devia querer se livrar. Aqui não é assim.
Tomás explica por quê, e a explicação é bonita. A capacidade de conhecer vem sempre do tamanho certo para aquilo que ela tem de conhecer. O anjo não tem corpo, e por isso o que ele conhece de próprio é a substânciaAquilo que existe por si, e não dentro de outra coisa. Um cavalo é substância; a cor dele não é. separada, que existe sem depender de matéria. O homem está grudado num corpo, e por isso o que ele conhece de próprio é «a quididadeO que a coisa é — a resposta à pergunta «que coisa é esta?». Vem do latim quid, «o quê». ou natureza existente na matéria corpórea» — a natureza das coisas do jeito que elas existem de verdade, sempre dentro de um indivíduo. Não existe «pedra em geral» largada em algum lugar do mundo. Existe esta pedra. E é assim, dentro desta matéria, que ela tem de ser conhecida.
Guarde a imagem que dá título a esta aula. O corpo é a estrada por onde o conhecimento chega até você, e não a pedra jogada no meio dela. Foi assim que Deus fez o homem, e é assim que o homem conhece. Uma tradição que dissesse o contrário teria de explicar, em algum momento, por que o Verbo se fez carne.
Faça agora o teste de Tomás, e faça de verdade, sem pular. Tente entender o que é uma promessa quebrada. Espere com calma e veja o que sobe na sua cabeça.
Depois responde com sinceridade: apareceu alguma cena? E, se apareceu, de quem era?
A Aula 3 abre essa máquina e mostra as peças. Se tudo passa pelos sentidos e pela imagem, convém saber quantas peças existem entre a coisa lá fora e o pensamento aqui dentro. São mais do que cinco.
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Mentoria espiritual — R$ 250/horaAula 3Cinco sentidos por fora, quatro por dentro
Todo mundo conta cinco sentidos de cabeça: vista, ouvido, olfato, gosto, tato. A escola ensina isso e para por aí. O que quase ninguém aprende é que essa tradição conta mais quatro — quatro sentidos que ficam por dentro. E são esses quatro que decidem se você vai entender ou não boa parte do que vem daqui para frente no curso.
Antes de ver a resposta, tente a sua. O cachorro vai buscar a coleira mesmo com ela guardada na gaveta, longe da vista dele. Que operação é essa, que nenhum dos cinco sentidos faz sozinho? E a segunda, mais estranha: a ovelha foge do lobo na primeira vez que o vê, sem nunca ter apanhado dele. O que foi que ela percebeu, se não foi a cor nem o tamanho?
Tomás não resolve isso dizendo «é assim porque eu digo». Ele pergunta do que um bicho precisa para sobreviver, e vai vendo o que os cinco sentidos não dão conta de fazer.
E a conta não sai de uma lista pronta para decorar. Sai de duas perguntas cruzadas. A primeira: o que se apreende — a forma sensível (cor, som) ou a intençãoAquilo que uma coisa significa para quem a percebe — perigo, utilidade, familiaridade. Não é cor nem cheiro, e no entanto se percebe. (o perigo, a utilidade). A segunda: o que se faz com aquilo — pega só no instante, ou guarda para depois. Duas perguntas, duas respostas cada, quatro combinações. E as quatro estão ocupadas. É de lá que saem as quatro potências.
Primeira peça que falta: guardar
Pense num bicho atrás do que não está na frente dele: a coleira na gaveta, a comida que ele viu ontem noutro lugar. Se ele só pegasse o que está diante dos olhos agora, nunca correria atrás de coisa nenhuma ausente — e é isso que os bichos fazem o dia inteiro. Então, além de receber a forma, é preciso guardar. E receber e guardar, diz Tomás com uma comparação da física do tempo dele, costumam ser trabalho de peças diferentes: «as coisas úmidas recebem bem mas retêm mal; e o contrário acontece com as secas». É a diferença entre escrever na areia molhada e riscar numa pedra.
Dessa necessidade de guardar nasce a imaginação. Tomás a descreve com uma expressão que vale levar: «um como tesouro das formas recebidas pelo sentido» — um cofre de imagens.
Segunda peça que falta: perceber o que não se vê
A segunda pergunta, a da intenção, é mais fina, e é ela que explica boa parte do que acontece entre pessoas. Se o bicho se mexesse só pelo que dói e pelo que dá prazer, bastavam as formas sensíveis. Mas ele foge e procura por outros motivos:
«Inimigo» não é cor. «Serve para o ninho» não é cheiro. A tradição chama isso de intenções: o que a coisa significa para quem a percebe. Não entra por nenhum dos cinco sentidos, e entra. Quem pega essas intenções é a estimativaA mesma função da cogitativa, mas nos animais: o que faz a ovelha fugir do lobo sem nunca o ter visto antes.. Quem as guarda é a memória.
As quatro casas, e por que são exatamente quatro
Postas lado a lado, as duas perguntas mostram que aquelas quatro potências não são uma lista que alguém inventou: são as únicas combinações que sobram.
Do lado da forma: quem recebe é o sentido comumA potência que junta o que os cinco sentidos trazem em separado. É ela que permite dizer que o amarelo e o doce são da mesma laranja. — é ele que deixa você dizer que o amarelo e o doce são da mesma laranja, coisa que nenhum dos cinco faz sozinho, porque cada um só alcança o que é dele. Quem guarda é a imaginação.
Do lado da intenção: quem pega é a estimativa. Quem guarda é a memória. E aqui vai uma distinção fina que vale a pena: a memória não guarda imagem, guarda significado. Guardar o rosto é serviço da imaginação. Guardar que aquele rosto é de quem te fez mal é serviço da memória.
E no homem a terceira peça muda de nome — e de natureza
A quarta potência, no homem, tem nome próprio e uma discussão inteira em volta. É dela que dependem quase todas as disciplinas seguintes:
A ovelha foge do lobo por instinto puro. O homem chega ao mesmo resultado comparando — pondo esta situação ao lado de outra que ele já viveu. Por isso no homem essa potência se chama razão particularOutro nome da cogitativa. Chama-se razão porque compara; chama-se particular porque compara casos concretos, e não ideias gerais.. Guarde duas coisas, que tudo depende delas: ela continua sendo sensitiva, e Tomás lhe dá até um órgão no corpo, com endereço.
Grife bem esse ponto, porque as próximas disciplinas vão cobrar. A cogitativaA potência que, no homem, capta o significado das coisas concretas — que aquele cão é perigoso, que aquela pessoa é a sua mãe. Tomás também lhe chama razão particular. é sentido, e não intelecto — mesmo com um nome como «razão particular», que soa a coisa de intelecto puro. Ela fica do lado dos sentidos, com órgão e tudo. É só o sentido mais fino que existe, o que chega mais perto da razão sem virar razão. E é dessa linha fina que vai depender, mais adiante, entender por que é tão difícil conhecer esta pessoa aqui, com nome e rosto, e não só «o homem» como ideia.
Por fora, com os cinco de sempre:
- vista
- ouvido
- olfato
- gosto
- tato
Por dentro, com as quatro desta aula:
- sentido comum — recebe a forma
- imaginação — retém a forma
- cogitativa — recebe a intenção (chama-se estimativa nos animais)
- memória — retém a intenção
Pense numa criança de dois anos que corre assustada de um cachorro grande que nunca a mordeu. Pergunte: o que ela percebeu, se não foi a cor do pelo nem o tamanho do bicho?
Dê nome ao que você identificou. Depois confira: esse nome é uma das nove peças do desenho desta aula?
Fica uma objeção de pé, e a Aula 4 é sobre ela. Se tudo o que sabemos entra por esse aparelho que a gente acabou de montar, e o aparelho às vezes erra — a colher que parece quebrada na água, a estrela que a gente vê onde ela já não está —, então o prédio inteiro do conhecimento parece construído em cima de areia.
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Mentoria espiritual — R$ 250/horaAula 4O olho não erra
Põe uma colher dentro de um copo com água e olha de lado. A colher parece quebrada bem na linha da água. Todo mundo já viu isso, e ninguém sai correndo achando que a colher quebrou.
Guarde bem o que acabou de acontecer, porque é uma acusação séria contra tudo o que esta disciplina disse até aqui. Se todo conhecimento entra pelos sentidos, e o sentido te entrega uma colher quebrada que não está quebrada, então tudo o que você sabe está apoiado numa coisa que falha de vez em quando.
Antes de responder: três coisas diferentes chegam ao mesmo olho
A resposta depende de uma divisão que quase nenhum curso ensina direito. Quando você olha para a colher no copo, o seu olho não recebe uma coisa só. Recebe três, ao mesmo tempo, e cada uma com um peso diferente.
A terceira delas Tomás descreve pelo jeito como ela chega: de repente, no encontro com a coisa, sem nenhum passo no meio — statim quod ad occursum rei sensatae apprehenditur intellectu. No instante em que você vê alguém se mexer, você já sabe que aquilo tem vida. Vida não tem cor. E chega junto com a cor, no mesmo instante.
Com essa divisão na mão, a pergunta da colher muda de figura. A forma quebrada é um sensível comumAquilo que mais de um sentido alcança: a figura, o tamanho, o movimento, o número. A vista e o tato alcançam os dois a forma de uma coisa., e não um sensível próprioAquilo que só um sentido alcança: a cor, para a vista; o som, para o ouvido. Nenhum outro sentido chega lá.. O que está em jogo é o contorno. A cor não entra nessa briga. E é exatamente sobre esse ponto que a tradição foi cobrada, ao longo dos séculos, a dar uma resposta.
A resposta, e ela começa antes de onde costuma ser citada
Ela não fugiu. Em 1913, o beneditino luxemburguês Joseph Gredt, professor em Roma, gastou a terceira parte inteira de um livro seu com esse problema — cinquenta e nove páginas só para discutir se os sentidos merecem crédito. E a frase que fecha a questão começa um pouco antes de onde costumam citá-la:
A frase em negrito é a que faz o trabalho pesado. A garantia dos sentidos é estreita e vale só para aquilo que cada sentido sente por si. Fora disso, a tese não promete nada — e é por isso que ela não é ingênua.
Na sequência da mesma frase, Gredt diz o que cabe dentro do estreito: aquilo que cada sentido apresenta por si mesmo, seja por si em primeiro lugar — o sensível próprio —, seja por si em segundo lugar — o sensível comum. Os dois estão cobertos. A forma da colher, sendo sensível comum, está dentro da garantia, e não fora.
Então a colher está partida?
A resposta de Gredt é mais dura do que a que costuma circular em sala de aula. Ele não diz que a vista erra e um juízoO ato de afirmar ou negar alguma coisa de outra — «a neve é branca». É só aqui que faz sentido dizer que alguém acertou ou errou. vem consertar depois. Ele nega a pergunta:
Pense no que acontece de verdade: a luz sai da colher, atravessa duas coisas de densidade diferente — o ar e a água —, e chega ao seu olho já entortada no caminho. Esse entorto é um fato do mundo, e não uma falha do olho. O que está diante da sua vista, naquele instante e naquelas condições, é mesmo uma forma quebrada. A sua vista está mostrando certo. Gredt chega a escrever que o bastão dentro da água está partido enquanto essa imagem chega à sua retina.
O erro entra depois, com uma pergunta que o olho nunca fez nem poderia fazer: e como é a colher fora da água? Essa pergunta não é da vista. Quem responde mal é outra peça.
E o «erro negativo», que a frase menciona e ninguém explica
Gredt admite um segundo tipo de erro, e vale entender bem qual é, porque à primeira vista parece contradizer tudo o que a gente acabou de dizer.
O erro positivo é mostrar o que não está lá. O erro negativoVer de menos, e não ver ao contrário: falta uma informação que não chegou, em vez de chegar uma informação falsa. Um retrato desfocado não mente. é outra coisa: é não mostrar tudo o que está — ver de menos, e não ver trocado. Gredt dá um exemplo: de longe, olhando duas cores encostadas, a vista vê as duas, mas sem distinguir onde uma acaba e a outra começa. E aí acaba vendo uma cor só.
Repare: nada foi inventado. As duas cores estão lá, e as duas foram vistas. Faltou a fronteira entre elas — uma informação que não chegou, e não uma informação falsa que chegou.
É a diferença entre uma foto tremida e a foto de outra pessoa. A foto tremida não mente. Só não mostra tudo.
São três saídas, e não existe uma quarta. Ou faltou informação, e é erro negativo. Ou o engano está no que foi acrescentado por cima, o sensível por acidenteAquilo que chega junto com o que se sentiu, mas não pelo sentido: que aquilo é uma colher, que é sua, que é uma pessoa viva. — e aí a falha é de outra peça. Ou não houve erro nenhum: alguém perguntou à vista uma coisa que não é da conta dela.
Vale parar aqui e ver o que isto muda na sua vida, porque parece distinção de escola e não é. A tese diz uma coisa estreita, e diz com firmeza: o que chega pelos seus olhos chega certo, dentro do que cabe aos olhos. Ela não promete que você nunca se engana. Todo «eu li mal a situação» aconteceu um instante depois, quando alguma coisa dentro de você respondeu a uma pergunta que o olho nunca fez — se aquela pessoa estava irritada, se aquele silêncio era com você. E daí sai o que interessa: quando você percebe que entendeu errado, o lugar de procurar o erro é o juízo que você montou por cima do que viu. Juízo se corrige. A vista não tem o que corrigir.
O que Gredt admite contra os seus
Na mesma parte do livro, Gredt monta uma escada de posições possíveis — ceticismo, idealismoA posição de que só alcançamos as nossas próprias representações. O mundo lá fora fica sendo hipótese., realismo crítico total, realismo crítico parcial, realismo natural parcial, realismo natural total exagerado — e põe a dele no topo. E, ao classificar cada degrau, admite sem cerimônia que os escolásticos antigos erraram em pontos por falta de física:
Veja o que está acontecendo: um escolástico, num livro escolástico, escrevendo que os escolásticos antigos erraram porque a física deles era ruim. E a correção que ele propõe é exata: eles confundiam o objeto por si com o objeto por acidente — a mesma divisão desta aula, agora virada contra a própria casa, para consertá-la por dentro.
E a acusação de ingenuidade, respondida de frente
Cedo ou tarde vem a objeção: «isso é realismo ingênuo, é achar que o mundo é do jeitinho que parece». Gredt responde com uma distinção que fecha o assunto:
E na linha de cima ele já tinha explicado por quê: «o realismo de todo homem adulto é mais ou menos crítico, porque todo homem, pelo uso da razão e por experiência múltipla, sua e de outros homens, purifica os seus conhecimentos dos erros». Ou seja: essa crítica qualquer adulto já faz sozinho, sem precisar que a filosofia moderna a trouxesse de fora.
Quando alguém defende uma leitura torta da própria história dizendo «eu vi com meus próprios olhos», esta tradição não duvida da pessoa. Ela pergunta o que exatamente foi visto, e o que foi acrescentado depois. Duvidar do que os olhos viram não entra na conta.
Na esmagadora maioria das vezes, o olho registrou certo. O que falhou está uma casa adiante, e o trabalho de quem pensa bem é achar em qual.
Cornelio Fabro, no século vinte, chega à mesma cautela por outro caminho. Ele separa duas formas completas de conhecer — a percepção, em que as coisas concretas ficam de fato presentes diante de nós, e o juízo, em que essa presença vira palavra —, e faz a pergunta que decide tudo: uma crítica do conhecimento deve começar pela percepção ou pelo juízo? Quem responde «pelo juízo» já começou de dentro da própria cabeça, e perdeu o jogo antes de jogar. É a mesma aposta desta aula, dita num vocabulário mais novo: a percepção já é, sozinha, uma forma completa de conhecer.
Uma página sobre o sono
Logo adiante, na mesma questão, vem outra pergunta: o juízo fica travado quando os sentidos estão desligados — no sono, por exemplo? Tomás diz que sim, pela mesma razão de antes: «todas as coisas que inteligimos, no estado da vida presente, nós as conhecemos por comparação com as coisas sensíveis naturais».
O bom, aqui, é a objeção. Alguém observa que gente dormindo às vezes raciocina, o que sugeriria intelecto funcionando sem sentido nenhum. E a resposta é uma página inteira de observação do sono, escrita no século treze:
A explicação de fisiologia está errada — não são vapores da digestão. Mas leia o que a página descreve, deixando a física ruim de lado: quatro estados de sono, separados pelo que acontece com a imagem em cada um. Primeiro, sem imagem. Depois, imagem embaralhada, como num delírio de febre. Depois, imagem em ordem. E no último grau, a pessoa que sonha e sabe que está sonhando. É difícil ler isso sem lembrar do que hoje se chama de sonho lúcido — a aproximação é nossa, e não de Tomás: o que ele descreve é o discernimento entre as coisas e as semelhanças delas, num sono em que o sentido comum ficou meio solto.
Repare no que acabou de acontecer, porque é assim que esta disciplina trabalha. Apareceu um caso que parecia derrubar a tese: o homem que raciocina dormindo. Em vez de discutir, Tomás foi olhar o sono de perto, e achou quatro graus, cada um com mais imagem disponível que o anterior. Quanto mais imagem sobra, mais a pessoa consegue pensar — que é exatamente o que a tese dizia. O caso que parecia estar contra virou prova a favor.
Lembre de uma vez em que você teve certeza de ter visto ou ouvido alguma coisa, e depois se provou que não era bem assim.
Com o desenho na mão, aponte o degrau: foi o olho que falhou, ou foi o passo seguinte? A resposta muda o que você faz da próxima vez.
Falta uma última coisa, e é ela que evita o mal-entendido mais comum sobre esta disciplina. É a Aula 5.
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Mentoria espiritual — R$ 250/horaAula 5Por que isto não faz de você um empirista
Quem chegou até aqui pode estar com uma suspeita, e ela é justa. «Tudo entra pelos sentidos, nada há no intelecto que não tenha vindo de fora, o corpo é a estrada» — isso não é quase palavra por palavra o que Locke e Hume disseram? Este curso não acabou de assinar embaixo do empirismoA escola que faz todo o conhecimento nascer da experiência sensível, sem admitir uma operação de outra ordem. inglês sem perceber?
Não. Mas a diferença não é a que costumam dizer. Vamos primeiro derrubar a versão fácil, e só depois mostrar onde a coisa realmente se separa.
O que o empirismo não diz
A versão fácil diz assim: o empirista acha que a mente só recebe, parada; nós achamos que a mente trabalha. É confortável de dizer e é falso. Quem já leu o Ensaio de Locke derruba isso em dez segundos.
Locke tem duas fontes de ideias, e não uma: a sensação e a reflexãoVoltar-se sobre o próprio ato: em vez de olhar para a coisa, olhar para o ato de conhecer que acabou de acontecer.. E dá à mente o trabalho de comparar, compor e abstrairTirar da imagem de uma coisa concreta aquilo que vale para todas as da mesma espécie. Cuidado: no sentido antigo é colher, e não apagar.. O próprio Soriano, que refuta essa escola, registra sem hesitar que ela admite «as operações intellectuaes, reflexão, abstracção e raciocínio». Hume também não nega atividade mental nenhuma: o que ele nega é que exista uma ligação necessária entre causa e efeito.
Sanguineti descreve os dois com precisão, e é dele a frase que fecha o assunto:
Onde a separação acontece
Aí está a diferença de verdade, e ela não é de quantidade de trabalho mental. É do que esse trabalho consegue produzir. Comparar, compor, dividir, associar — tudo isso trabalha em cima de imagens e devolve imagens, mais arrumadas, mais finas, mas do mesmo material. Percepção bem trabalhada continua sendo percepção.
Esta tradição afirma uma operação a mais, de outra natureza. Ela está no artigo logo antes do que lemos na Aula 2:
Leia devagar e repare nesta expressão: a matéria da causa. O sentido entrega o material bruto, e material bruto não é a coisa pronta. Falta alguém trabalhar em cima. E quem trabalha é o que Tomás chama, na linha seguinte, de lume do intelecto agenteA parte da inteligência que trabalha, em vez de receber. É ela que ilumina a imagem e tira dali o que serve para todos os casos.: «é necessário o lume do intelecto agente para que conheçamos, imutavelmente, a verdade, nas coisas mutáveis, e discernamos as coisas mesmas, das suas semelhanças».
Lume. É essa palavra que marca a fronteira. O empirista dá várias operações à mente, e nenhuma delas acende essa luz: nenhuma tira, de dentro de uma imagem particular, um universalO que vale para todos os casos de uma espécie. «Homem» é universal; «este homem» não é. em ato. Aqui se dá essa operação a mais, e é ela que faz o conceito nascer. Os sentidos entram com a matéria; o intelecto entra com a luz. Sem a primeira não há o que entender; sem a segunda, o material fica sendo material.
O preço de Hume
O caso de Hume mostra o que acontece com quem não dá essa operação. Sanguineti resume: em Hume, as ideias de substância, de sujeito pensante, de causa e de lei física perdem validade racional, e a expectativa de que amanhã se pareça com hoje vira hábito psíquico. Hume não parou a mente. Ele deixou a mente sem como chegar ao que é necessário.
A ideia como meio, e não como objeto
Falta a última consequência, e é a mais pesada das três.
Se as ideias entram pelos sentidos, sobra a pergunta: o que é que você conhece, afinal — a coisa lá fora, ou a impressão dela aqui dentro? Parece pergunta de escola, e não é. A resposta errada abre a porta do idealismo moderno, e o ceticismo entra logo atrás: se o que eu conheço é a minha própria representação, eu nunca saio de mim, e o mundo vira uma hipótese que ninguém confere.
Soriano resolveu isso em português, em 1871, numa frase:
Ou seja: quando você vê a cor e sente o peso de alguma coisa, você não conhece primeiro a cor e o peso para depois deduzir que tem um objeto por baixo. Você está conhecendo o objeto, pela cor e pelo peso. A ideia é aquilo pelo que você conhece a coisa, e não a coisa que você conhece.
Essa distinção é tão decisiva que ganhou uma disciplina inteira, a terceira deste bloco. Aqui basta ter visto de onde ela nasce.
Imagine que alguém te diga que aprendeu tudo sozinho, pensando por conta própria. Não discuta. Faça a conta por dentro: de onde vieram as palavras com que essa pessoa pensou tudo isso?
Agora faça a mesma conta com você. É mais difícil, e é a que vale.
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Mentoria espiritual — R$ 250/horaSínteseO que estas cinco aulas eram, juntas
Resumo é a mesma lista, mais curta. Síntese é outra coisa: é a hora em que as peças aparecem encaixadas, funcionando como uma máquina só. É isso que a palavra contemplação quer dizer aqui — uma capacidade que se ganha com trabalho, e não um clima de igreja vazia.
Então: o que aconteceu, no fundo, nestas cinco aulas?
Começamos com sete palavras em latim, e elas foram engordando a cada aula. Na Aula 1, fechavam duas portas: você não nasce sabendo, e não existe olho interior. Na Aula 2, deixaram de falar só da origem e passaram a falar do funcionamento — o conhecimento continua precisando dos sentidos toda vez que você entende alguma coisa. Na Aula 3, viraram uma máquina de nove peças, quatro delas peças que a escola nunca mostrou a ninguém. Na Aula 4, aguentaram a objeção que ameaçava derrubá-las, e mostraram em que degrau o erro mora. E na Aula 5, mostraram que aquela mesma fórmula, na boca do empirista, quer dizer outra coisa — porque do lado dele falta metade da explicação.
O que fica valendo
Ficam três lições, e as três voltam mais adiante. A primeira é uma regra para ler a si mesmo: você não tem acesso direto à sua própria alma. Olhar para dentro também passa por imagem, por memória e por juízo, e erra pelos mesmos motivos que tudo mais. Isso não impede o autoconhecimento. Faz dele um trabalho, com método. É a matéria da quinta disciplina deste bloco.
A segunda diz onde procurar o erro. O sentido não mente. Quem mente é o juízo. Toda vez que alguém disser «eu vi com meus próprios olhos» para sustentar uma leitura torta da própria história, os olhos provavelmente viram certo — e o problema está uns três degraus adiante. Isso é primeiro uma questão filosófica. Moral, só depois.
E a terceira é uma cautela contra a nossa própria casa. Nesta disciplina o manual do curso errou num ponto, e um autor da mesma escola admitiu que os antigos se enganaram por falta de física. As duas coisas ficaram escritas aqui, com nome e página. Este curso tem posição e a declara. Mas não existe para ganhar discussão — e, quando a tradição erra, a aula diz que errou.
O fechamento
O fechamento é um fichamento. Escreva, com as suas palavras e citando a fonte, o que você entendeu de I, q. 84, a. 7. Depois, diga onde, na sua própria vida, você já usou a distinção da Aula 4 sem saber que ela tinha nome.
ProvaCinco perguntas antes de seguir
As perguntas são sobre o que você acabou de ler. Cada resposta mostra na hora se está certa, e a explicação aparece tanto quando você acerta quanto quando erra. Passa quem acerta quatro das cinco. Quem não passar volta à aula que a explicação indicar e refaz quantas vezes quiser — não há limite de tentativas, e não existe nota.
Esta disciplina é aberta a todos
Você leu uma das seis disciplinas do Bloco 1 inteira, sem pagar nada. As outras cinco são assim: o mesmo tamanho, as mesmas fontes citadas uma a uma, a mesma narração para ouvir. E continuam de onde esta parou — como a ideia se forma a partir do que os sentidos trouxeram, por que conhecemos a coisa e não a nossa ideia dela, e onde exatamente mora a verdade.
Ver o Bloco 1 — R$ 97Sem prazo e sem turma. Se preferir continuar olhando antes, a Sala de Aula mostra o curso inteiro, e as três disciplinas dos Padres do Deserto também estão abertas.
E se esta disciplina lhe serviu, baixe o PDF lá em cima e mande a quem você acha que vai gostar: ele pode ser repassado inteiro, sem cobrança e sem pedir autorização.
Ementa
A origem sensível de todo conhecimento
- Código
- STAN 001
- Bloco
- 1 — Gnoseologia
- Aulas
- 5 e uma síntese
- Narração
- 52 min
- Pré-requisito
- Nenhum
- Regime
- Sem prazo
O que a disciplina trata
O princípio de que nada está no intelecto que não tenha estado primeiro nos sentidos, e o que ele obriga. A dependência do intelecto humano em relação ao corpo, verificada pelo que acontece quando um órgão adoece. Os cinco sentidos externos e os quatro internos: senso comum, imaginação, cogitativa (a razão particular) e memória.
A infalibilidade do sentido próprio quanto ao seu objeto próprio, e os dois lugares por onde o erro entra: o sensível por acidente e o juízo. A separação entre esta tese e o empirismo moderno, que parte da mesma frase e chega a outro lugar.
Objetivo
Levar o aluno a sustentar, com o texto na mão, que todo conhecimento humano começa nos sentidos sem que isso reduza o conhecimento à sensação.
Metas — o que o aluno sai sabendo fazer
Conteúdo programático
- Aula 1De onde veio isso que você sabe
- Aula 2O corpo é a estrada, e não o obstáculo
- Aula 3Cinco sentidos por fora, quatro por dentro
- Aula 4O olho não erra
- Aula 5Por que isto não faz de você um empirista
- SínteseO que estas cinco aulas eram, juntas
Como a disciplina funciona
Cada aula é um texto e a mesma coisa narrada em voz, para quem prefere ouvir; a velocidade da voz é escolhida pelo aluno. As aulas abrem em ordem, e a seguinte destranca quando ele chega na anterior. O que se explica melhor desenhado do que dito vem em esquema. Ao fim de cada aula há um exercício que pede a aplicação do que se acabou de ler a um caso do próprio aluno. A síntese fecha disciplina e traz o fichamento, que é a página que fica depois de esquecido o resto.
A disciplina inteira pode ser baixada em PDF pelo botão no alto da página, com os esquemas e as fontes.
Verificação
A verificação tem três peças, e nenhuma delas dá nota. O exercício ao fim de cada aula, que só se responde aplicando a distinção a um caso concreto. O fichamento da síntese. E a prova de cinco perguntas que fecha disciplina: quem acerta quatro abre a disciplina seguinte na Sala de Aula, e quem não acertar refaz quantas vezes quiser, porque cada resposta mostra na hora se está certa e por quê. Quando o exercício não sai com as palavras do aluno, o sinal é de reler a aula antes de seguir.
Bibliografia básica
- ARISTÓTELES. Sobre a Alma, III, 7 (431a16). Tradução inglesa de W. A. Hammond. Londres, 1902.Citado pela tradução inglesa; o latim confere.
- TOMÁS DE AQUINO. Suma Teológica, I, q. 78, a. 4; q. 84, a. 6 e a. 7. Tradução de Alexandre Correia.Base das aulas 2, 3 e 4. Citada sempre por questão e artigo, para conferir em qualquer edição.
- SOUZA, José Soriano de. Lições de Filosofia Elementar, Racional e Moral. Recife, 1871. Lição XXX, § 37; Lição XXXI, § 47.O primeiro manual tomista escrito em português.
- GREDT, Joseph. De cognitione sensuum externorum. Roma: Desclée, 1913. nn. 53, 54 (escólio 1) e 55.O n. 55 é a formulação operacional do princípio da infalibilidade.
Bibliografia complementar
- MAHER, Michael. Psychology: Empirical and Rational. Londres: Longmans, 1908.Manual de psicologia escolástica em inglês; útil para quem quiser o mesmo assunto tratado mais devagar.
- GILSON, Étienne. Thomist Realism and the Critique of Knowledge. Trad. Mark A. Wauck. San Francisco: Ignatius Press, 1986.Original: Réalisme thomiste et critique de la connaissance, Vrin, 1939. Sobre o que se compromete quem faz do conhecimento o ponto de partida da filosofia.
- SANGUINETI, Juan José. Introduzione alla gnoseologia. Roma: EDUSC, 2008 (1.ª ed. Le Monnier, Florença, 2003). Cap. 2, «La sensibilità».Manual contemporâneo da mesma tradição, usado no curso de gnoseologia do Ateneo Pontificio Regina Apostolorum. O capítulo 2 trata a sensibilidade em conversa com a psicologia e a ciência cognitiva de hoje.
- FABRO, Cornelio. La fenomenologia della percezione. In: Opere Complete, vol. 5, a cura di Christian Ferraro. EDIVI, 2006 (1.ª ed. Vita e Pensiero, Milão, 1941).Quinhentas páginas sobre a percepção, e é o lugar onde Fabro sustenta que os primeiros princípios apenas sancionam, na ordem dos valores, o que já consta na apresentação imediata dos objetos.
De onde veio cada frase
A voz antiga aparece em serifa, sempre com a referência ao lado. Onde a passagem para o português é nossa, está dito na própria referência.
Onde ler a fonte, de graça
Estas obras estão em domínio público e podem ser lidas ou baixadas inteiras.
- Suma Teológica I, qq. 84-89, em latim (edição Leonina) → Corpus Thomisticum
- Aristóteles, De Anima, na tradução de Hammond → Internet Archive
- Gredt, De cognitione sensuum externorum → Internet Archive · em latim
- Maher, Psychology: Empirical and Rational → Internet Archive · edição de 1903, com paginação diferente da de 1908
Esta disciplina é aberta a todos. É a primeira das seis do Bloco 1 — Gnoseologia, da Psicologia da Alma, e pode ser lida sem pagar e sem cadastro. Este arquivo pode ser repassado a quantas pessoas você quiser, inteiro e sem cobrança — não é preciso pedir autorização.
As outras cinco disciplinas continuam de onde esta parou: como a ideia se forma a partir do que os sentidos trouxeram, por que conhecemos a coisa e não a nossa ideia dela, e onde mora a verdade. O bloco inteiro está em studium.thaciosiqueira.com.br — e a narração de cada aula, para ouvir, também.